A Mata Atlântica não é apenas um bioma. Ela é reconhecida pela Constituição Federal de 1988 como Patrimônio Nacional, um título que representa mais do que simbolismo. Significa que sua proteção é dever do poder público e da sociedade.

Esse reconhecimento não veio por acaso. A Mata Atlântica abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, sustenta serviços ambientais essenciais e é o território onde vivem milhões de brasileiros. Sua importância ecológica, cultural e econômica ultrapassa fronteiras e gerações.
Mas declarar patrimônio não basta. Ao longo das últimas décadas, a proteção desse bioma foi construída por meio de políticas públicas, marcos legais e mobilização da sociedade civil. A Lei da Mata Atlântica, unidades de conservação, reservas particulares, acordos internacionais e iniciativas de restauração são conquistas que nasceram da articulação entre ciência, instituições e cidadãos comprometidos.

Ainda assim, a floresta permanece sob pressão. Interesses econômicos de curto prazo, expansão urbana desordenada, desmatamento ilegal e fragilização de normas ambientais e as mudanças climáticas colocam em risco os remanescentes que restam. Cada retrocesso legislativo, cada flexibilização indevida, amplia a vulnerabilidade de um bioma já profundamente fragmentado.
O que está em jogo não é apenas a paisagem. É a segurança hídrica, a estabilidade climática, a fertilidade do solo, a produção de alimentos, a nossa segurança e a qualidade de vida nas cidades e no campo. É o futuro de um território que concentra grande parte da população brasileira e que depende diretamente da integridade de seus ecossistemas.
A história da Mata Atlântica mostra que conquistas ambientais são resultado de mobilização. Foi a sociedade civil organizada que pressionou por legislação específica. São pesquisadores, cientistas e técnicos que geram conhecimentos e monitoram o desmatamento. São cidadãos que participam de conselhos, defendem áreas protegidas e plantam novas florestas.

Proteger a Mata Atlântica é um compromisso permanente. Exige políticas públicas consistentes, fiscalização eficaz, proteção da biodiversidade, incentivo à restauração ecológica e participação ativa da sociedade. Exige também escolhas individuais e coletivas que valorizem produtos sustentáveis, territórios conservados e cadeias produtivas responsáveis.
Patrimônio Nacional é aquilo que pertence a todos. E tudo o que pertence a todos depende do cuidado de cada um.

Defender a Mata Atlântica é defender o direito das próximas gerações a viver em um país mais equilibrado, mais justo e mais resiliente. É assumir que o desenvolvimento só é verdadeiro quando respeita os limites da natureza.
A floresta ainda está aqui. E o seu futuro continua sendo uma decisão coletiva.
MARCIA HIROTA é presidente da Fundação SOS Mata Atlântica.

Mata Atlântica: Patrimônio Nacional, por Marcia Hirota
A Mata Atlântica não é apenas um bioma. Ela é reconhecida pela Constituição Federal de 1988 como Patrimônio Nacional, um título que representa mais do que simbolismo. Significa que sua proteção é dever do poder público e da sociedade.
Esse reconhecimento não veio por acaso. A Mata Atlântica abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, sustenta serviços ambientais essenciais e é o território onde vivem milhões de brasileiros. Sua importância ecológica, cultural e econômica ultrapassa fronteiras e gerações.
Mas declarar patrimônio não basta. Ao longo das últimas décadas, a proteção desse bioma foi construída por meio de políticas públicas, marcos legais e mobilização da sociedade civil. A Lei da Mata Atlântica, unidades de conservação, reservas particulares, acordos internacionais e iniciativas de restauração são conquistas que nasceram da articulação entre ciência, instituições e cidadãos comprometidos.
Ainda assim, a floresta permanece sob pressão. Interesses econômicos de curto prazo, expansão urbana desordenada, desmatamento ilegal e fragilização de normas ambientais e as mudanças climáticas colocam em risco os remanescentes que restam. Cada retrocesso legislativo, cada flexibilização indevida, amplia a vulnerabilidade de um bioma já profundamente fragmentado.
O que está em jogo não é apenas a paisagem. É a segurança hídrica, a estabilidade climática, a fertilidade do solo, a produção de alimentos, a nossa segurança e a qualidade de vida nas cidades e no campo. É o futuro de um território que concentra grande parte da população brasileira e que depende diretamente da integridade de seus ecossistemas.
A história da Mata Atlântica mostra que conquistas ambientais são resultado de mobilização. Foi a sociedade civil organizada que pressionou por legislação específica. São pesquisadores, cientistas e técnicos que geram conhecimentos e monitoram o desmatamento. São cidadãos que participam de conselhos, defendem áreas protegidas e plantam novas florestas.
Proteger a Mata Atlântica é um compromisso permanente. Exige políticas públicas consistentes, fiscalização eficaz, proteção da biodiversidade, incentivo à restauração ecológica e participação ativa da sociedade. Exige também escolhas individuais e coletivas que valorizem produtos sustentáveis, territórios conservados e cadeias produtivas responsáveis.
Patrimônio Nacional é aquilo que pertence a todos. E tudo o que pertence a todos depende do cuidado de cada um.
Defender a Mata Atlântica é defender o direito das próximas gerações a viver em um país mais equilibrado, mais justo e mais resiliente. É assumir que o desenvolvimento só é verdadeiro quando respeita os limites da natureza.
A floresta ainda está aqui. E o seu futuro continua sendo uma decisão coletiva.
MARCIA HIROTA é presidente da Fundação SOS Mata Atlântica.