O sonho yanomami é imagem que junta aquilo que de dia não pode se encontrar, mas que de noite no tempo do sonho, viaja por mundos desconhecidos e encontra com seres que já não podem mais estar. Não estão porque já se foram, no tempo ou no espaço, e que apenas deixam atrás de si, o rastro de saudade.
Ao despertar, a imagem volta para o corpo e o sonho só pode se fazer presente por meio da fala. A linguagem é o elo que faz com que as experiências oníricas possam ser compartilhadas, pois de outra forma, ficariam à deriva, vagando por um mar de imagens sem um porto onde pudessem atracar. É porque o sonho pode ser tornado consciente e socializado por meio da fala que aquilo que toca a imagem também afeta o corpo.

Ilustração: Elisa Carareto
Mas é preciso ter coragem, e contar um sonho além de ser um sinal de sabedoria é também um gesto de generosidade, é a possibilidade de compartilhar um outro modo de existência, que só pode existir, porque um povo na floresta segue sonhando.
Enquanto isso, mari hi, a árvore dos sonhos, desabrocha suas flores, na certeza que ao enviar suas flores, o mundo inteiro possa sonhar o mesmo sonho e acordar no dia seguinte, acreditando que amanhã será um novo dia.
Hanna Limulja é autora de O desejo dos outros – uma etnografia dos sonhos yanomami (Ubu, 2022), um dos títulos que inspiraram nossa colaboração com o coletivo de editoras Sete Selos+. Para o lançamento de Feitiços, palavras encantadas à mão, convidamos os autores contemporâneos a contribuir para o impresso que acompanha a coleção. O texto de Hanna Limulja foi escrito especialmente para esta edição.

A palavra como sonho, por Hanna Limulja
O sonho yanomami é imagem que junta aquilo que de dia não pode se encontrar, mas que de noite no tempo do sonho, viaja por mundos desconhecidos e encontra com seres que já não podem mais estar. Não estão porque já se foram, no tempo ou no espaço, e que apenas deixam atrás de si, o rastro de saudade.
Ao despertar, a imagem volta para o corpo e o sonho só pode se fazer presente por meio da fala. A linguagem é o elo que faz com que as experiências oníricas possam ser compartilhadas, pois de outra forma, ficariam à deriva, vagando por um mar de imagens sem um porto onde pudessem atracar. É porque o sonho pode ser tornado consciente e socializado por meio da fala que aquilo que toca a imagem também afeta o corpo.
Ilustração: Elisa Carareto
Mas é preciso ter coragem, e contar um sonho além de ser um sinal de sabedoria é também um gesto de generosidade, é a possibilidade de compartilhar um outro modo de existência, que só pode existir, porque um povo na floresta segue sonhando.
Enquanto isso, mari hi, a árvore dos sonhos, desabrocha suas flores, na certeza que ao enviar suas flores, o mundo inteiro possa sonhar o mesmo sonho e acordar no dia seguinte, acreditando que amanhã será um novo dia.
Hanna Limulja é autora de O desejo dos outros – uma etnografia dos sonhos yanomami (Ubu, 2022), um dos títulos que inspiraram nossa colaboração com o coletivo de editoras Sete Selos+. Para o lançamento de Feitiços, palavras encantadas à mão, convidamos os autores contemporâneos a contribuir para o impresso que acompanha a coleção. O texto de Hanna Limulja foi escrito especialmente para esta edição.