Lorena Portela nasceu em Mombaça, sertão central do Ceará. Jornalista de formação, cresceu em Fortaleza e viveu em Lisboa até se mudar para Londres, onde mora desde 2019. Em 2020 publicou seu primeiro romance de maneira independente, “Primeiro eu tive que morrer”. Com a Todavia, publicou “O amor e sua fome” (2024).
Durante a 22ª Flip (Feira Literária Internacional de Paraty), Lorena participou de uma leitura com autoras Todavia na Casa Flavia Aranha. Para celebrar nosso encontro entre palavras, cores e movimentos, convidamos Lorena para a edição #16 do Diálogos do Vestir.

LORENA, COMO É A SUA RELAÇÃO COM O VESTIR?
É uma ótima relação. Adoro vestir roupa bonita, pra mim, pra alguém, gosto do processo de me arrumar sendo a ocasião especial ou não. Muda o meu humor, me deixa mais disposta. Mas também depende do momento. Tem dias em que camiseta e chinelo ou pijama são a melhor roupa possível.
CONTA PRA GENTE UM POUCO DOS CAMINHOS TRAÇADOS, ATÉ A ESCOLHA DA PALAVRA COMO OFÍCIO.
Eu fui uma criança que lia e que escrevia (textos horrorosos em diários e em redações da escola), participava de concursos, estudei em escola particular com bolsa integral por causa da minha redação. Fiz jornalismo, fui redatora em agências de publicidade, enfim, escrever estava na minha rota desde sempre. O caminho para a literatura, no entanto, foi inteiro repleto de um sentimento de total incapacidade, nunca achei que chegaria a publicar um livro, quanto mais dois. Começou com uma pequena coragem e agora não vou mais parar de fazer. Achei meu lugar.

VOCÊ NASCEU NO CEARÁ, CRESCEU EM FORTALEZA, ESTUDOU EM LISBOA E HOJE MORA EM LONDRES. EM SEUS LIVROS, O ESPAÇO É MAIS QUE CENÁRIO, SÃO PERSONAGENS QUE AJUDAM A CONSTRUIR A HISTÓRIA. COMO VOCÊ ACHA QUE A RELAÇÃO COM A TERRA, OU AS TERRAS, INFLUENCIOU A SUA ESCRITA?
A terra ou as terras me influenciam completamente. O Ceará me deu tudo. O jeito de falar, o jeito que olho para as pessoas, a minha relação com o mar e com o vento. E morar em dois países diferentes me manteve atenta ao outro, me colocou diante de uma constante humildade que que é ver graça nas diferenças, em novas comidas, em novos sotaques e me deu uma dimensão melhor do mundo, tão grande e do humano, tão grande também.
AS MULHERES SEMPRE DERAM UM JEITO DE ESCREVER, MAS NOS ÚLTIMOS TEMPOS TEMOS ACOMPANHADO ESSAS PALAVRAS GANHANDO FORÇA E ALCANÇANDO MAIS PESSOAS. NOSSO ENCONTRO NA CASA FLAVIA ARANHA, COM VOCÊ, MARIANA SALOMÃO CARRARA, NATALIA TIMERMAN E MARIA CARVALHOSA É UMA CELEBRAÇÃO DESSA POTÊNCIA. O QUE VOCÊ DIRIA PARA OUTRAS MULHERES QUE ESTÃO CHEGANDO AGORA NESSE MOVIMENTO?
Digo que façam, que escrevam, que publiquem, que estudem, que criem, que se cerquem de outras mulheres e que, importante salientar, se cerquem de pessoas sérias. Escrever é um trabalho, exige rigor no fazer e no entorno. No mais, estamos num momento lindo da literatura brasileira, é bom que mais mulheres cheguem para uma festa onde antes só os homens dançavam livremente.

É BONITO VER COMO A VIDA SE MANIFESTA EM SEU LIVRO, O “BANHO NO RIO, OS ANIMAIS DOS RIOS, OS REAIS E DOS SONHOS”... ESSA RELAÇÃO COM A VIBRAÇÃO DO MUNDO PARA ALÉM DA VIDA HUMANA É UM TEMA MUITO CARO PRA GENTE, ENTENDEMOS QUE TUDO É NATUREZA. PARA ALÉM DO SEU PROCESSO COM A ESCRITA, O QUE TEM TE INSPIRADO A ENCONTRAR ESSAS BELEZAS?
Eu me considero uma pessoa sensível, desde criança ficava atenta aos movimentos, às conversas, ao quintal da minha avó, às músicas que os adultos colocavam pra tocar lá em casa, à relação dos meus irmãos, ao jeito que minha mãe se maquiava, que era meio hipnótico, e o jeito meu pai gargalhava, que era lindo. Eu gostava desses detalhes sem me dar conta de que eram detalhes. E pensando bem, nem eram, né? Eram a vida mesmo, um dia depois do outro. Esse olhar se mantém hoje, mais atento, mais alerta, mais à flor da pele, e, claro, desemboca na literatura.
DEPOIS DE LANÇAR SEU MAIS RECENTE LIVRO, QUAL É SUA PRÓXIMA FOME COMO AUTORA?
Tenho fome de escrever mais livros, tenho mais dois projetos em andamento mas estou sem pressa, livros têm o tempo deles, o tempo de tirar do pé, sabe? Então digamos que é uma fome sossegada, sem desespero, uma hora sacia, na hora certinha.

Diálogos do Vestir #16 - Lorena Portela
Lorena Portela nasceu em Mombaça, sertão central do Ceará. Jornalista de formação, cresceu em Fortaleza e viveu em Lisboa até se mudar para Londres, onde mora desde 2019. Em 2020 publicou seu primeiro romance de maneira independente, “Primeiro eu tive que morrer”. Com a Todavia, publicou “O amor e sua fome” (2024).




Durante a 22ª Flip (Feira Literária Internacional de Paraty), Lorena participou de uma leitura com autoras Todavia na Casa Flavia Aranha. Para celebrar nosso encontro entre palavras, cores e movimentos, convidamos Lorena para a edição #16 do Diálogos do Vestir.
LORENA, COMO É A SUA RELAÇÃO COM O VESTIR?
É uma ótima relação. Adoro vestir roupa bonita, pra mim, pra alguém, gosto do processo de me arrumar sendo a ocasião especial ou não. Muda o meu humor, me deixa mais disposta. Mas também depende do momento. Tem dias em que camiseta e chinelo ou pijama são a melhor roupa possível.
CONTA PRA GENTE UM POUCO DOS CAMINHOS TRAÇADOS, ATÉ A ESCOLHA DA PALAVRA COMO OFÍCIO.
Eu fui uma criança que lia e que escrevia (textos horrorosos em diários e em redações da escola), participava de concursos, estudei em escola particular com bolsa integral por causa da minha redação. Fiz jornalismo, fui redatora em agências de publicidade, enfim, escrever estava na minha rota desde sempre. O caminho para a literatura, no entanto, foi inteiro repleto de um sentimento de total incapacidade, nunca achei que chegaria a publicar um livro, quanto mais dois. Começou com uma pequena coragem e agora não vou mais parar de fazer. Achei meu lugar.
VOCÊ NASCEU NO CEARÁ, CRESCEU EM FORTALEZA, ESTUDOU EM LISBOA E HOJE MORA EM LONDRES. EM SEUS LIVROS, O ESPAÇO É MAIS QUE CENÁRIO, SÃO PERSONAGENS QUE AJUDAM A CONSTRUIR A HISTÓRIA. COMO VOCÊ ACHA QUE A RELAÇÃO COM A TERRA, OU AS TERRAS, INFLUENCIOU A SUA ESCRITA?
A terra ou as terras me influenciam completamente. O Ceará me deu tudo. O jeito de falar, o jeito que olho para as pessoas, a minha relação com o mar e com o vento. E morar em dois países diferentes me manteve atenta ao outro, me colocou diante de uma constante humildade que que é ver graça nas diferenças, em novas comidas, em novos sotaques e me deu uma dimensão melhor do mundo, tão grande e do humano, tão grande também.
AS MULHERES SEMPRE DERAM UM JEITO DE ESCREVER, MAS NOS ÚLTIMOS TEMPOS TEMOS ACOMPANHADO ESSAS PALAVRAS GANHANDO FORÇA E ALCANÇANDO MAIS PESSOAS. NOSSO ENCONTRO NA CASA FLAVIA ARANHA, COM VOCÊ, MARIANA SALOMÃO CARRARA, NATALIA TIMERMAN E MARIA CARVALHOSA É UMA CELEBRAÇÃO DESSA POTÊNCIA. O QUE VOCÊ DIRIA PARA OUTRAS MULHERES QUE ESTÃO CHEGANDO AGORA NESSE MOVIMENTO?
Digo que façam, que escrevam, que publiquem, que estudem, que criem, que se cerquem de outras mulheres e que, importante salientar, se cerquem de pessoas sérias. Escrever é um trabalho, exige rigor no fazer e no entorno. No mais, estamos num momento lindo da literatura brasileira, é bom que mais mulheres cheguem para uma festa onde antes só os homens dançavam livremente.
É BONITO VER COMO A VIDA SE MANIFESTA EM SEU LIVRO, O “BANHO NO RIO, OS ANIMAIS DOS RIOS, OS REAIS E DOS SONHOS”... ESSA RELAÇÃO COM A VIBRAÇÃO DO MUNDO PARA ALÉM DA VIDA HUMANA É UM TEMA MUITO CARO PRA GENTE, ENTENDEMOS QUE TUDO É NATUREZA. PARA ALÉM DO SEU PROCESSO COM A ESCRITA, O QUE TEM TE INSPIRADO A ENCONTRAR ESSAS BELEZAS?
Eu me considero uma pessoa sensível, desde criança ficava atenta aos movimentos, às conversas, ao quintal da minha avó, às músicas que os adultos colocavam pra tocar lá em casa, à relação dos meus irmãos, ao jeito que minha mãe se maquiava, que era meio hipnótico, e o jeito meu pai gargalhava, que era lindo. Eu gostava desses detalhes sem me dar conta de que eram detalhes. E pensando bem, nem eram, né? Eram a vida mesmo, um dia depois do outro. Esse olhar se mantém hoje, mais atento, mais alerta, mais à flor da pele, e, claro, desemboca na literatura.
DEPOIS DE LANÇAR SEU MAIS RECENTE LIVRO, QUAL É SUA PRÓXIMA FOME COMO AUTORA?
Tenho fome de escrever mais livros, tenho mais dois projetos em andamento mas estou sem pressa, livros têm o tempo deles, o tempo de tirar do pé, sabe? Então digamos que é uma fome sossegada, sem desespero, uma hora sacia, na hora certinha.