Camila Alves nasceu em São Paulo (16/12/1992) e atualmente vive em Belo Horizonte. Design de Moda de formação, se apaixonou pelo universo da joalheria, onde criou sua marca, ARQVO. O ateliê trabalha com peças feitas à mão, inspiradas nos estudos biológicos e naturais que permeiam a imaginação de Camila.
A TEIA do nosso VERÃO 25 contou com a parceria da ARQVO para os acessórios da primeira entrada. Juntas, criamos a família Rizoma, cujo tema atravessa nossa história com a da marca. Para falar sobre o vestir, inspirações e parcerias, Camila é a convidada da edição #17 do Diálogos do Vestir.
CAMILA, O SEU TRABALHO PERMEIA O UNIVERSO DA MODA, ARTÍSTICO, DA BELEZA, DENTRE OUTRAS INÚMERAS EXPERIÊNCIAS QUE VAMOS DESDOBRAR POR AQUI. COMO É A SUA RELAÇÃO COM O VESTIR?
O vestir sempre teve um papel de expressão em minha vida e acredito que sempre seja o início de uma boa conversa. Já na adolescência costumava vestir as roupas da minha mãe e adorava contar para todo mundo que elas tinham saído dos anos 80. contar histórias das vestimentas ou como elas foram feitas sempre me interessaram muito. O meu jeito de vestir mudou com o tempo, antes indo para um lado mais de uma personagem que eu queria ser, para hoje ser algo mais pessoal, de conforto com meu próprio corpo e minhas referências pessoais de estilo e ética. Me preocupando com o acabamento, origem e materiais utilizados, transformando em um consumo com mais intenção. Imaginei agora uma colcha de retalhos, onde vamos juntando fases e conhecimentos e criando nosso próprio olhar para as coisas
CONTA UM POUCO SUA HISTÓRIA, OS CAMINHOS TRAÇADOS, EXPERIÊNCIAS… COMO VOCÊ CHEGOU NA JOALHERIA?
Sou formada em Design de Moda pela Universidade Belas Artes de São Paulo, com especialização em gestão de moda também pela Belas Artes. Trabalhei como marketing de uma loja de acessórios e sempre fui muito curiosa. Aprendendo de perto como eram feitas as peças. Acabei me tornando designer da empresa que proporcionou diversas experiências na área, com viagens de pesquisa e importações. Comecei então a me apaixonar por todo esse universo das joias e bijouxs. Trabalhei em outra marca antes de me tornar diretora da arqvo.
NO SITE DO ATELIÊ VOCÊ COMENTA QUE O NOME ARQVO VEM DOS ANTIGOS GABINETES DE CURIOSIDADES, ESPAÇOS ONDE SE GUARDAVAM FRAGMENTOS DE FAUNA E FLORA. COMO VOCÊ PERCEBE A IMPORTÂNCIA DOS ELEMENTOS DA NATUREZA DENTRO DO SEU TRABALHO?
A natureza é minha principal inspiração. Eu sempre digo que o meu trabalho é fazer as pessoas olharem com mais atenção aos detalhes que a natureza possui. A beleza principal está nessas formas. Eu só dou o devido valor. Geralmente pego pedaços de materiais naturais e meus fornecedores ficam sem entender por eu não procurar a pérola mais redonda, ou a concha mais polida. São as que mais me encantam, por realmente admirar essas imperfeições que trazem texturas ao olhar. Nosso mundo tem tanta textura, tantos formatos e cores que é uma fonte inesgotável de inspiração. E com essa sintonia que encontro clientes que depositam a mim a confiança de desenvolver algo com pedaços de elementos encontrados em uma viagem e que querem exaltar ainda mais essa memória
COM A ARQVO VOCÊ FALA DE PEÇAS FEITAS COM MEMÓRIA AFETIVA, ATEMPORALIDADE E HISTÓRIA PRA CONTAR. VOCÊ SENTE QUE A MODA ESTÁ MAIS ABERTA ÀS POSSIBILIDADES, NO SENTIDO DE DITAR MENOS TENDÊNCIAS E PROPOR SOLUÇÕES MAIS CRIATIVAS?
Acho que a moda sempre foi cíclica, indo de acordo com o que a sociedade está pensando naquele momento. Houve um tempo em que estávamos mais abertos a propor soluções mais éticas e inclusivas para consumo. Creio que com essa onda niilista as pessoas foram deixando assuntos importantes para dar ênfase em um estilo de vida mais ostensivo. Mas são grupos que sentem falta de uma vivência mais humana com as marcas sempre presentes em questionar e não abrir mão da ética em seu consumo. Acho que as tendências estão sendo ditadas, de forma mais rápida, assim como o mundo está caminhando cada vez mais rápido. Mas sinto que tem a resistência, que luta por causas mais importantes que buscam encontrar isso na moda.
A Arqvo é meu laboratório de experimentos. Olhar com carinho para cada matéria que estou utilizando, me faz ir em busca do esquecido.
VOCÊ REALIZA UM TRABALHO MANUAL COM PROCESSOS DELICADOS E ÚNICOS, FICAMOS PENSANDO NA IMPORTÂNCIA EM RESPEITAR O TEMPO DO FAZER, O TEMPO DA NATUREZA, DA CRIAÇÃO. COMO É A SUA RELAÇÃO COM O TEMPO?
O tempo é algo sagrado para mim e quanto mais os anos passam, mais vou percebendo a importância do respeito ao tempo para tudo o que vou fazer. A criação é a parte principal. É preciso muito tempo para diluir as ideias e propor soluções criativas. O ato de criar é tão intangível que precisamos de tempo para saber que estamos criando ou raciocinando sobre a vida. Nos calendários de moda e consumo isso é praticamente impossível, mas como a Arqvo é meu laboratório experimental, nela procuro respeitar principalmente o tempo. Geralmente crio uma coleção grande por ano e sempre procuro algo que as pessoas nunca viram ou que venha uma memória de anos passados. Criar é depositar amor e para isso é preciso calma.
CRIAMOS EM PARCERIA UMA FAMÍLIA DE ACESSÓRIOS CHAMADA RIZOMA, FRUTO DA RAÍZ DE CARAPIÁ, UMA PLANTA CHEIA DE SIMBOLISMO E POTÊNCIA. CONTA COMO FOI PARTICIPAR DESSE PROJETO COM A FLAVIA ARANHA!
A família Rizoma foi um aprendizado muito satisfatório. Estudando sobre eletroformação, surgiu a chance de tentarmos utilizar a própria raiz para criar os modelos dos acessórios. Como a eletroformação possui algumas limitações, tivemos que engrossar algumas partes da raiz à mão com todo cuidado, entrelaçando os fios sempre preservando as características originais do material. Foi um trabalho muito minucioso e ao mesmo tempo divertido. Agradeço demais a confiança da equipe em dar a liberdade para testes. Foi fundamental para que os acessórios chegassem nesse visual final tão único. É uma coleção muito especial e que me encheu de orgulho!
VIMOS QUE VOCÊ BUSCA INSPIRAÇÃO EM ESTUDOS BIOLÓGICOS E NATURAIS E NA SIMPLICIDADE DO COTIDIANO. POR AQUI A RELAÇÃO COM A TERRA E COM AS BELEZAS DO DIA A DIA TAMBÉM CONVERSAM MUITO COM NOSSO TRABALHO TAMBÉM. O QUE TEM TE INSPIRADO A COLOCAR A MÃO NA MASSA ULTIMAMENTE?
Ultimamente venho me questionado muito a respeito dos impactos e como podemos criar sem agredir tanto nosso mundo. Fiquei pensando aqui que o que me inspira são essas histórias do mundo. Nunca é uma tendência de moda ou o que está em alta. À partir dessas histórias que tento levar uma imagem para a moda. Me peguei esses dias voltando minhas energias em alimentos naturais e pequenas plantações em minha casa. Estou começando a me aventurar nos micro verdes e ver o processo de germinação dessas plantas é muito especial de acompanhar. As formas que as raízes desenham a terra me deixam hipnotizada. Outra inspiração está sendo ler os livros do Amyr Klink e sua filha Tamara Klink. Estou me jogando em suas aventuras pelos oceanos e como a sinergia com a natureza, com os animais aquáticos faz com que as coisas caminhem de forma harmoniosa. Quem sabe não vira uma coleção?
Diálogos do Vestir #17 - Camila Alves
Camila Alves nasceu em São Paulo (16/12/1992) e atualmente vive em Belo Horizonte. Design de Moda de formação, se apaixonou pelo universo da joalheria, onde criou sua marca, ARQVO. O ateliê trabalha com peças feitas à mão, inspiradas nos estudos biológicos e naturais que permeiam a imaginação de Camila.





A TEIA do nosso VERÃO 25 contou com a parceria da ARQVO para os acessórios da primeira entrada. Juntas, criamos a família Rizoma, cujo tema atravessa nossa história com a da marca.
Para falar sobre o vestir, inspirações e parcerias, Camila é a convidada da edição #17 do Diálogos do Vestir.
CAMILA, O SEU TRABALHO PERMEIA O UNIVERSO DA MODA, ARTÍSTICO, DA BELEZA, DENTRE OUTRAS INÚMERAS EXPERIÊNCIAS QUE VAMOS DESDOBRAR POR AQUI. COMO É A SUA RELAÇÃO COM O VESTIR?
O vestir sempre teve um papel de expressão em minha vida e acredito que sempre seja o início de uma boa conversa. Já na adolescência costumava vestir as roupas da minha mãe e adorava contar para todo mundo que elas tinham saído dos anos 80. contar histórias das vestimentas ou como elas foram feitas sempre me interessaram muito.
O meu jeito de vestir mudou com o tempo, antes indo para um lado mais de uma personagem que eu queria ser, para hoje ser algo mais pessoal, de conforto com meu próprio corpo e minhas referências pessoais de estilo e ética. Me preocupando com o acabamento, origem e materiais utilizados, transformando em um consumo com mais intenção. Imaginei agora uma colcha de retalhos, onde vamos juntando fases e conhecimentos e criando nosso próprio olhar para as coisas
CONTA UM POUCO SUA HISTÓRIA, OS CAMINHOS TRAÇADOS, EXPERIÊNCIAS… COMO VOCÊ CHEGOU NA JOALHERIA?
Sou formada em Design de Moda pela Universidade Belas Artes de São Paulo, com especialização em gestão de moda também pela Belas Artes.
Trabalhei como marketing de uma loja de acessórios e sempre fui muito curiosa. Aprendendo de perto como eram feitas as peças. Acabei me tornando designer da empresa que proporcionou diversas experiências na área, com viagens de pesquisa e importações. Comecei então a me apaixonar por todo esse universo das joias e bijouxs.
Trabalhei em outra marca antes de me tornar diretora da arqvo.
NO SITE DO ATELIÊ VOCÊ COMENTA QUE O NOME ARQVO VEM DOS ANTIGOS GABINETES DE CURIOSIDADES, ESPAÇOS ONDE SE GUARDAVAM FRAGMENTOS DE FAUNA E FLORA. COMO VOCÊ PERCEBE A IMPORTÂNCIA DOS ELEMENTOS DA NATUREZA DENTRO DO SEU TRABALHO?
A natureza é minha principal inspiração. Eu sempre digo que o meu trabalho é fazer as pessoas olharem com mais atenção aos detalhes que a natureza possui. A beleza principal está nessas formas. Eu só dou o devido valor. Geralmente pego pedaços de materiais naturais e meus fornecedores ficam sem entender por eu não procurar a pérola mais redonda, ou a concha mais polida. São as que mais me encantam, por realmente admirar essas imperfeições que trazem texturas ao olhar. Nosso mundo tem tanta textura, tantos formatos e cores que é uma fonte inesgotável de inspiração.
E com essa sintonia que encontro clientes que depositam a mim a confiança de desenvolver algo com pedaços de elementos encontrados em uma viagem e que querem exaltar ainda mais essa memória
COM A ARQVO VOCÊ FALA DE PEÇAS FEITAS COM MEMÓRIA AFETIVA, ATEMPORALIDADE E HISTÓRIA PRA CONTAR. VOCÊ SENTE QUE A MODA ESTÁ MAIS ABERTA ÀS POSSIBILIDADES, NO SENTIDO DE DITAR MENOS TENDÊNCIAS E PROPOR SOLUÇÕES MAIS CRIATIVAS?
Acho que a moda sempre foi cíclica, indo de acordo com o que a sociedade está pensando naquele momento. Houve um tempo em que estávamos mais abertos a propor soluções mais éticas e inclusivas para consumo. Creio que com essa onda niilista as pessoas foram deixando assuntos importantes para dar ênfase em um estilo de vida mais ostensivo. Mas são grupos que sentem falta de uma vivência mais humana com as marcas sempre presentes em questionar e não abrir mão da ética em seu consumo.
Acho que as tendências estão sendo ditadas, de forma mais rápida, assim como o mundo está caminhando cada vez mais rápido. Mas sinto que tem a resistência, que luta por causas mais importantes que buscam encontrar isso na moda.
A Arqvo é meu laboratório de experimentos. Olhar com carinho para cada matéria que estou utilizando, me faz ir em busca do esquecido.
VOCÊ REALIZA UM TRABALHO MANUAL COM PROCESSOS DELICADOS E ÚNICOS, FICAMOS PENSANDO NA IMPORTÂNCIA EM RESPEITAR O TEMPO DO FAZER, O TEMPO DA NATUREZA, DA CRIAÇÃO. COMO É A SUA RELAÇÃO COM O TEMPO?
O tempo é algo sagrado para mim e quanto mais os anos passam, mais vou percebendo a importância do respeito ao tempo para tudo o que vou fazer.
A criação é a parte principal. É preciso muito tempo para diluir as ideias e propor soluções criativas. O ato de criar é tão intangível que precisamos de tempo para saber que estamos criando ou raciocinando sobre a vida. Nos calendários de moda e consumo isso é praticamente impossível, mas como a Arqvo é meu laboratório experimental, nela procuro respeitar principalmente o tempo. Geralmente crio uma coleção grande por ano e sempre procuro algo que as pessoas nunca viram ou que venha uma memória de anos passados. Criar é depositar amor e para isso é preciso calma.
CRIAMOS EM PARCERIA UMA FAMÍLIA DE ACESSÓRIOS CHAMADA RIZOMA, FRUTO DA RAÍZ DE CARAPIÁ, UMA PLANTA CHEIA DE SIMBOLISMO E POTÊNCIA. CONTA COMO FOI PARTICIPAR DESSE PROJETO COM A FLAVIA ARANHA!
A família Rizoma foi um aprendizado muito satisfatório. Estudando sobre eletroformação, surgiu a chance de tentarmos utilizar a própria raiz para criar os modelos dos acessórios. Como a eletroformação possui algumas limitações, tivemos que engrossar algumas partes da raiz à mão com todo cuidado, entrelaçando os fios sempre preservando as características originais do material. Foi um trabalho muito minucioso e ao mesmo tempo divertido. Agradeço demais a confiança da equipe em dar a liberdade para testes. Foi fundamental para que os acessórios chegassem nesse visual final tão único. É uma coleção muito especial e que me encheu de orgulho!
VIMOS QUE VOCÊ BUSCA INSPIRAÇÃO EM ESTUDOS BIOLÓGICOS E NATURAIS E NA SIMPLICIDADE DO COTIDIANO. POR AQUI A RELAÇÃO COM A TERRA E COM AS BELEZAS DO DIA A DIA TAMBÉM CONVERSAM MUITO COM NOSSO TRABALHO TAMBÉM. O QUE TEM TE INSPIRADO A COLOCAR A MÃO NA MASSA ULTIMAMENTE?
Ultimamente venho me questionado muito a respeito dos impactos e como podemos criar sem agredir tanto nosso mundo. Fiquei pensando aqui que o que me inspira são essas histórias do mundo. Nunca é uma tendência de moda ou o que está em alta. À partir dessas histórias que tento levar uma imagem para a moda. Me peguei esses dias voltando minhas energias em alimentos naturais e pequenas plantações em minha casa. Estou começando a me aventurar nos micro verdes e ver o processo de germinação dessas plantas é muito especial de acompanhar. As formas que as raízes desenham a terra me deixam hipnotizada. Outra inspiração está sendo ler os livros do Amyr Klink e sua filha Tamara Klink. Estou me jogando em suas aventuras pelos oceanos e como a sinergia com a natureza, com os animais aquáticos faz com que as coisas caminhem de forma harmoniosa. Quem sabe não vira uma coleção?
Fotos do editorial: Camilla Loreta
Camila Alves veste: Macacão Amélia; Camisa Liz; Vestido Pilar, Acessórios Rizoma e Sandália Paloma.