Paulliny Tort nasceu em Brasília (DF), é jornalista de formação e estreou na literatura em 2016 com o romance Allegro ma non troppo (Oito e Meio), semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura.
Seu primeiro livro de contos, Erva brava (Fósforo), foi vencedor do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e finalista do Prêmio Jabuti 2022. Em 2026, lançou Os Imortais (Fósforo), seu novo romance.
A partir de Os Imortais, conversamos com Paulliny sobre o vestir, a palavra e seu ofício. Paulliny Tort é nossa convidada da edição #32 do Diálogos do Vestir.

[F - A] Paulliny, como é a sua relação com o vestir? Quando nos encontramos, você comentou que tem experimentado mais as cores. Como tem sido esse processo?
PAULLINY TORT: Desde a adolescência, entendo que podemos expressar a nossa natureza criativa por meio de como nos vestimos. Talvez por isso eu nunca tenha me vestido de modo muito tradicional, embora ultimamente tenha optado por peças mais suaves.
Como acontece a tantas pessoas, a minha predileção pelas cores também mudou ao longo da vida. Passou pelo rosa da infância, pelo azul, pelo verde, pelas variações do violeta. Mas o preto esteve lado a lado com essas preferências e foi o que vesti mais. Agora tenho me inclinado para as cores claras e vibrantes, como off-white e o amarelo. Gosto dessa vibração solar.
[F - A] No seu novo romance, você escreve um mundo anterior à linguagem como a conhecemos. Como foi usar a palavra para construir um universo que, em certa medida, ainda não podia ser dito?
PAULLINY TORT: No meu processo, escrever é estar em outro lugar com esses outros seres a que chamamos personagens. É viver com eles, partilhar de suas realizações e de suas lutas. A palavra é um testemunho dessa experiência.

[F - A] Ao ler o seu livro, sentimos a força do nosso vínculo com o passado e, ao mesmo tempo, a fragilidade do futuro da nossa civilização como a conhecemos. Como essa percepção atravessou a escrita do romance e transformou seu olhar sobre o presente?
PAULLINY TORT: Não sinto que houve uma transformação do meu olhar sobre o presente, como a pergunta sugere. Cada autor tem suas motivações, seus procedimentos, mas me parece que a literatura de ficção é feita da vida inteira de quem escreve. Não depende apenas de uma decisão ou de uma clareza de propósito – inclui as experiências e o repertório da pessoa, o espírito do tempo e variáveis que nem sequer imaginamos. Por isso, um romance não é uma mensagem na garrafa. Alguns compartilharão com você desse vínculo com o passado e considero muito bonito, mas outros podem ter insights bem diferentes. Essa é uma das maravilhas da literatura, um mesmo livro pode ser vários.

[F - A] Nos encontramos na temporada da FLIP e, este ano, olhamos muito para a palavra como uma ferramenta de encantamento do mundo, como um feitiço mesmo. Para você, como escritora e jornalista, que magia (ou quais magias) a palavra ainda é capaz de realizar?
PAULLINY TORT: A palavra pode conectar imaginações, criando uma imensa teia de mundos paralelos. Imagine um campo onde estão as ficções de todos os tempos. Embora isso soe algo místico, não sei se a palavra se insere na ordem da magia. Há um aspecto dela que acho mais interessante: a palavra ser parte do que somos, do nosso instinto. Fôssemos aves, a palavra seria nosso canto, nosso trinado. No fundo, talvez não precisemos de outra magia além daquela que a natureza já oferece.

Registros: Ana Andrade
Paulliny Tort veste: Camisa Helena Off White, Calça Helena Off White, Blusa Ana Impressão Botânica Urucum, Calça Emma Impressão Botânica Urucum
Confira as edições anteriores da série Diálogos do Vestir
Paulliny Tort _ Diálogos do Vestir #32
Paulliny Tort nasceu em Brasília (DF), é jornalista de formação e estreou na literatura em 2016 com o romance Allegro ma non troppo (Oito e Meio), semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura.
Seu primeiro livro de contos, Erva brava (Fósforo), foi vencedor do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e finalista do Prêmio Jabuti 2022. Em 2026, lançou Os Imortais (Fósforo), seu novo romance.
A partir de Os Imortais, conversamos com Paulliny sobre o vestir, a palavra e seu ofício. Paulliny Tort é nossa convidada da edição #32 do Diálogos do Vestir.
[F - A] Paulliny, como é a sua relação com o vestir? Quando nos encontramos, você comentou que tem experimentado mais as cores. Como tem sido esse processo?
PAULLINY TORT: Desde a adolescência, entendo que podemos expressar a nossa natureza criativa por meio de como nos vestimos. Talvez por isso eu nunca tenha me vestido de modo muito tradicional, embora ultimamente tenha optado por peças mais suaves.
Como acontece a tantas pessoas, a minha predileção pelas cores também mudou ao longo da vida. Passou pelo rosa da infância, pelo azul, pelo verde, pelas variações do violeta. Mas o preto esteve lado a lado com essas preferências e foi o que vesti mais. Agora tenho me inclinado para as cores claras e vibrantes, como off-white e o amarelo. Gosto dessa vibração solar.
[F - A] No seu novo romance, você escreve um mundo anterior à linguagem como a conhecemos. Como foi usar a palavra para construir um universo que, em certa medida, ainda não podia ser dito?
PAULLINY TORT: No meu processo, escrever é estar em outro lugar com esses outros seres a que chamamos personagens. É viver com eles, partilhar de suas realizações e de suas lutas. A palavra é um testemunho dessa experiência.
[F - A] Ao ler o seu livro, sentimos a força do nosso vínculo com o passado e, ao mesmo tempo, a fragilidade do futuro da nossa civilização como a conhecemos. Como essa percepção atravessou a escrita do romance e transformou seu olhar sobre o presente?
PAULLINY TORT: Não sinto que houve uma transformação do meu olhar sobre o presente, como a pergunta sugere. Cada autor tem suas motivações, seus procedimentos, mas me parece que a literatura de ficção é feita da vida inteira de quem escreve. Não depende apenas de uma decisão ou de uma clareza de propósito – inclui as experiências e o repertório da pessoa, o espírito do tempo e variáveis que nem sequer imaginamos. Por isso, um romance não é uma mensagem na garrafa. Alguns compartilharão com você desse vínculo com o passado e considero muito bonito, mas outros podem ter insights bem diferentes. Essa é uma das maravilhas da literatura, um mesmo livro pode ser vários.
[F - A] Nos encontramos na temporada da FLIP e, este ano, olhamos muito para a palavra como uma ferramenta de encantamento do mundo, como um feitiço mesmo. Para você, como escritora e jornalista, que magia (ou quais magias) a palavra ainda é capaz de realizar?
PAULLINY TORT: A palavra pode conectar imaginações, criando uma imensa teia de mundos paralelos. Imagine um campo onde estão as ficções de todos os tempos. Embora isso soe algo místico, não sei se a palavra se insere na ordem da magia. Há um aspecto dela que acho mais interessante: a palavra ser parte do que somos, do nosso instinto. Fôssemos aves, a palavra seria nosso canto, nosso trinado. No fundo, talvez não precisemos de outra magia além daquela que a natureza já oferece.
Registros: Ana Andrade
Paulliny Tort veste: Camisa Helena Off White, Calça Helena Off White, Blusa Ana Impressão Botânica Urucum, Calça Emma Impressão Botânica Urucum
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