TENCEL™ Micro Modal, por Flavia Aranha

TENCEL™ Micro Modal, por Flavia Aranha

Nos unimos a TENCEL™ e Textil Carmem para apresentar uma parceria que nasce da pesquisa de matéria-prima, desenvolvimento têxtil e processos mais conscientes e acessíveis.

Roupas Vivas criadas em tecido feito 100% com fibras TENCEL™ Micro Modal, fiadas pela Textil Carmem, em uma coleção que propõe novas interpretações para a fibra modal.

Para celebrar esse encontro, compartilhamos na íntegra a entrevista que a Lenzing realizou com Flavia Aranha.

LENZING: O que inspirou essa coleção?

FLAVIA: Essa coleção, Floresta, é um desdobramento do nosso desfile no São Paulo Fashion Week do ano passado. A gente normalmente não muda muito os temas de uma coleção para outra, o processo criativo é sempre um desdobramento da nossa pesquisa que vem vindo de forma contínua ao longo dos 16 anos de marca. Especialmente nos últimos anos, depois que eu vim morar em Paraty, e eu moro na floresta, eu comecei a me interessar muito objetivamente, mas também subjetivamente, pela ideia e pelo conceito de floresta, esse sistema do qual a gente faz parte. Essa coleção é um fragmento, um pedaço dessa pesquisa, materializada aqui a partir desse processo criativo.

LENZING: Como a sustentabilidade aparece no seu processo criativo?

FLAVIA: A sustentabilidade é o cerne da nossa marca. Em 2009 a gente começou uma tentativa de transformar os meios produtivos da moda. E todo o ecossistema, a cadeia de suprimento da Flavia Aranha, é pensada a partir desse desejo de mudança, de transformação, de regeneração, pesquisando processos e inovações que sejam alternativas ao uso do petróleo, que hoje é o que sustenta nossa sociedade. Então, tudo que a gente faz, a gente faz sem petróleo, buscando alternativas vegetais e biodegradáveis para fazer nossas roupas, nossos tecidos, nossas cores.

A gente fala muito que nossa missão é tecer ecossistemas regenerativos que conectam ancestralidade e inovação para o bem viver. Então a sustentabilidade não é algo que a gente conecta ou que a gente só tenta ser melhor. A gente usa a roupa, a empresa e os nossos processos criativos para gerar bem-estar, para gerar transformação. A pesquisa de novos materiais, o resgate da ancestralidade, do conhecimento tradicional, as técnicas, as tipologias ancestrais, os materiais nativos, toda a nossa pesquisa tem como objetivo essa transformação.

LENZING: O que moda consciente significa para você hoje?

FLAVIA: Eu acho que a consciência é fundamental para toda a existência, não só na moda, não só no nosso trabalho. Mas de alguma forma, tudo o que a gente faz e principalmente tudo o que a gente comunica, tem essa consciência muito forte nas decisões, nas escolhas e também na tentativa de fazer com que essas reflexões cheguem para nossa cliente final e que, quem sabe, ela transforme a vida dela, as decisões dela e a forma como ela se relaciona com o entorno, com o seu território, com o ambiente, com a sociedade de uma forma mais positiva.

LENZING: O que não pode faltar em uma moda mais responsável?

FLAVIA: O que não pode faltar numa moda responsável é reflexão. Tudo parte de uma reflexão, de se entender no mundo, entender o seu processo em relação ao outro, em relação à sociedade, em relação ao sistema. Então, não pode faltar consciência, reflexão e decisões firmes.

Toda a nossa pesquisa de materiais, de tecnologias, cadeia de suprimentos, todas as pessoas com quem a gente se relaciona desde o início, desde o solo, desde quando a gente pensa numa fibra que a gente quer usar, quem são os nossos fornecedores, quem são as pessoas que vão estar nos bastidores costurando, bordando, tingindo…

Então eu estou muito feliz de trabalhar com as fibras TENCEL™ Micro Modal, fiadas pela Textil Carmem. É uma parceria de longa data e a gente valoriza muito. A Lenzing é uma empresa que está falando de sustentabilidade há muito tempo e tem uma pesquisa séria e comprometida, uma cadeia fechada com ciclo fechado, uma matéria-prima que vem de fonte vegetal, tem um comprometimento com toda a cadeia de plantio e de cuidado com o ecossistema.

Como designer, acredito que a gente precisa fortalecer os fornecedores que estão comprometidos seriamente em fazer um processo sustentável e de fato responsável. Eu acho muito lindo quando as empresas conseguem conectar esses elos e realmente materializar um projeto assim.

Queremos que isso se fortaleça e se expanda, e que nossas clientes tenham acesso a esse produto que tem muita tecnologia empregada e muita consciência no seu processo todo.

LENZING: Que mudança você gostaria de ver na indústria da moda?

FLAVIA: Eu gostaria que a indústria se transformasse, não só a indústria, mas todo o mercado, toda a sociedade. A gente precisa, de alguma forma, criar uma nova forma de viver nesse mundo. Acho que a crise climática está aí para provar que a gente precisa dar conta de transformar a maneira como a gente produz e consome e se relaciona no mundo.

Eu também gostaria que a indústria da moda brasileira e mundial pudesse cada vez mais investir em pesquisa, em inovação, em reconhecer tecnologias ancestrais que podem ser escaladas, que podem ser aplicadas ao mundo contemporâneo. Gostaria de ver mais incentivo, mais valorização a processos regenerativos, processos de ciclo fechado, cadeias regenerativas. E eu gostaria que isso se ampliasse, além de uma reflexão sobre como a gente mantém seus negócios prósperos, seus ativos, sem depender daquele crescimento exponencial que diz que todo negócio precisa vender mais, produzir mais.

O mundo já está cheio de coisas, então como a gente consegue gerar valor na cadeia, nos negócios, na sociedade, pensando em outras formas de se consumir? Consumir melhor, consumir com mais qualidade, produtos duráveis que se preservem no seu guarda-roupa, com cadeias que geram valor em todo o seu processo, no trabalho das pessoas, mantendo florestas de pé, regenerando ecossistemas, biomas, e dando valor para todas as mulheres, todo mundo que trabalha por trás dessa indústria que é enorme, que depende de muita gente para conseguir prosperar e para a gente vestir essas roupas.

Então, o meu desejo é que a indústria se transforme, que a indústria realmente se comprometa com mudanças estruturais, sérias, que se invista na energia, tempo e recurso em pesquisa, em tecnologia e inovação, no resgate dos conhecimentos ancestrais, na conexão desse conhecimento com técnicas escaláveis, possíveis de serem realmente aplicadas, que a gente transforme uma cadeia que hoje, no mundo todo, é baseada no petróleo, para materiais regenerativos, biodegradáveis, renováveis, de ciclo fechado, conscientes. E é isso que eu desejo para o nosso setor.

Voltar para Novidades